Bioconstruindo

Bioconstruindo é um novo verbo! Em 2000, após nossa participação em no evento Build Here Now, Fundação Lama, Novo México, EUA –  inspirados pela possibilidade resolvemos criar um termo novo para definir a construção que respeita o ambiente e valoriza o potencial humano. Foi quando falamos a primeira vez em “Bioconstrução“. Em seguida estabelecemos nosso próprio evento para difundir a prática da construção natural, com materiais ecológicos a partir do trabalho humano direto, simples e honesto. Aconteceu então o Bioconstruindo 2001, nosso primeiro curso de bioconstrução no Ecocentro Ipec, que rapidamente cresceu e tornou-se um festival de boas práticas e celebração da construção da casa humana.

A construção natural surgiu como resposta a uma crescente preocupação com o meio ambiente. Nela, diversas técnicas fornecem parte da solução para esse complexo problema mundial.

Dali para frente tudo é a história da Bioconstrução. Hoje podemos ver profissionais intitulando-se “bioarquitetos” ou “bioconstrutores”, o que é motivo de muita alegria para todos que participaram da criação deste movimento.

ecocentro

Casa Autônoma

É possível criar uma linda casa natural com todos os confortos da vida moderna e coletando sua própria água, energia e aparato sanitário.  Em 2005, o Ecocentro IPEC concluiu um modelo de habitação que reúne todas estas vantagens. A casa tem 80 metros quadrados e é 100% autônoma no abastecimento de água, saneamento e energia. Entre as diversas tecnologias sociais utilizadas, os sistemas de geração e economia de energia são exemplos do nível de sustentabilidade que se pode obter com o bom design e a utilização de recursos locais.

Na construção, a questão do consumo de recursos é tomada como a alma do desenvolvimento sustentável. A escolha de matérias e técnicas pode mudar não só a cara da obra como seu impacto no planeta. Mas, apesar disso, muitas vezes os aspectos ecológicos ficam de fora dos projetos.

Para se ter uma idéia, são endereçados às construções aproximadamente 40% dos materiais e dos recursos gastos por ano no mundo, fomentando assim a economia global insustentável. Vão para as construções ¼ da madeira extraída, 2/5 da energia consumida e 1/6 da água potável. Nos últimos 100 anos o nível de dióxido de carbono na atmosfera aumentou 27%, sendo 1/4 deste proveniente da queima de combustíveis fósseis usados para fornecer energia às construções. É bom frisarmos que durante o mesmo período o mundo perdeu 20% de suas florestas.

Estes números assustam ainda mais quando lembramos que somente dois bilhões pessoas, das sete bilhões que somos no planeta, vivem em construções modernas que entram na conta acima. E pior: a projeção para os próximos 50 anos é que os números quadrupliquem.

A seriedade dessa crise começou a influenciar a maneira como pensamos o design e a execução de nossas construções 😉

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A “casa autônoma” foi construida para demonstrar a viabilidade de uma habitação que gera tudo que consome e recicla tudo que produz. Pirenópolis, Goiás.