Para baixo todo santo ajuda

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O que são princípios?

Princípios são diferentes de dogmas. Princípios são proposições, valores ou regras que orientam comportamentos ou avaliações. Podem ser morais ou éticos, ou representar regras essenciais de operação de algum sistema, como por exemplo, as leis da natureza. 

Diferentes dos dogmas, os princípios não exigem crença ou fé,  trazendo consigo a possibilidade e a oportunidade de errar e aprender dentro de um processo evolutivo. Erros de princípio podem resultar em consequências, e o aprendizado acontece na medida em que as consequências são integradas na experiência. Aprender com os erros é uma característica evolutiva dos organismos vivos.

A Permacultura é fundamentada em princípios transdisciplinares, ou seja, podem advir de qualquer área do conhecimento humano, e por sua vez, aplicados em qualquer área para obter um efeito desejado.

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O Princípio de “mínimo de mudança para o máximo de efeito” estabelece que a natureza é sábia e a melhor aposta do designer está sempre no lado da imitação do mundo natural.

Muitos princípios estão descritos na abordagem sistêmica do design. David Holmgren estabeleceu 12 para a Permacultura. Bill Mollison nomeou 35. Ambos influenciados pelos princípios de Odum e Birch no estudo dos ecossistemas. Fukuoka, o “pai da agricultura natural”, observou que o arroz nascia naturalmente mais forte nas bordas dos terraços onde o solo não era perturbado e disse: “Faça o mínimo possível”.

Bill Mollison, um mentor pessoal e criador da palavra Permacultura dizia a mesma coisa de outra forma: “coloque os componentes no lugar certo e confie na galinha, ela só precisa do lugar dela no mundo para cuidar bem de você”.

Esta “leitura” da natureza é subjetiva para cada observador, e a prática persistente na aplicação dos padrões observados na natureza desenvolve a capacidade de adaptação ao meio. Por um lado esta adaptabilidade aos fatores limitantes do meio e por outro a capacidade de modificar o meio para adaptá-lo as necessidades humanas são o diferencial de criatividade e flexibilidade que definem os princípios necessários para viver em harmonia com o planeta e a sociedade.

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Os “caminhos vivos” especificados neste TCC ao lado são uma estratégia de ocupação e acumulação de funções. Parece lógico que nas bordas construídas hajam plantios produtivos que permitam que o usuário sirva-se de alimento enquanto passa daqui para ali. Esta estratégia avançar em complexidade com a introdução de diferentes superfícies e estruturas de apoio para mais “andares” produtivos, desde trepadeiras que oferecem sombra e alimento (maracujá, chuchu) até árvores frutíferas de pequeno porte, como a Pitangueira ou a Amoreira , que podem ser podadas para manter a sombra sobre o caminho. Assim, os caminhos vivos não foram “inventados” pelo grupo que apresentou o TCC. São o resultado da sobreposição de padrões e princípios aplicados a partir de um problema real: a necessidade de especificar caminhos em um projeto.

Qual a função da janela? 

De acordo com Thomas Markus (1967), a função principal das janelas é proporcionar conexão com o ambiente natural do exterior. Uma janela cumpre melhor esta função quando proporciona simultaneamente a vista do terreno e do horizonte.  Quando esta função é plenamente cumprida as pessoas se sentem mais confortáveis em um espaço e apresentam melhor saúde mental.

Ecocentro IPEC Bioconstruindo Bioconstrução SuperadobeAberturas circulares existem desde antes das escolas de arquitetura. Os portões circulares na China e no Japão sempre foram usados para criar um sentido de calma e transição para um espaço tranquilo. Podemos assumir que a forma circular representa um arquétipo humano ancestral. Uma forma que simboliza um todo.

 

Os arquétipos existem dentro de todos nós e se manifesta em nossas criações quando encontramos a necessidade.

 

Como instalar janelas no Superadobe?

No Ecocentro Ipec, quando resolvemos utilizar manilhas de concreto pela primeira vez no lugar de esquadrias de madeira tínhamos pouca experiência, mas sabíamos claramente das limitações que enfrentávamos. Precisávamos de uma solução econômica e ecológica para a instalação de muitas janelas nos quartos da Ecoversidade, nosso alojamento de estudantes.

A madeira sempre foi escassa, cara e de qualidade duvidosa em Pirenópolis-Go. Muita madeira é trazida, ainda verde, da Amazônia sem nenhuma preocupação com a extração sustentável.

Ao mesmo tempo a técnica construtiva que experimentávamos na época, o Superadobe, impunha esforços enormes sobre as esquadrias no momento de compactar a terra sobre as vergas horizontais de madeira. Já conhecíamos os benefícios estruturais dos arcos como estratégias para evitar a necessidade de vergas. Na arquitetura podemos identificar este mesmo princípio na utilização de formas circulares e orgânicas, adaptadas a métodos mais simples e vernaculares de construção. Normalmente estas formas exigem um número menor de ferramentas e são de execução mais intuitiva, convidando os leigos a participarem do processo de bioconstrução.

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Portanto, a Janela Manilha usada no Ecocentro resultou de uma sobreposição de princípios de economia energética com um arquétipo ancestral, para cumprir funções específicas e resolver um desafio de construção no interior do Brasil. Hoje podemos verificar manilhas de concreto sendo utilizadas em obras em todo o país. Sem dúvida, os arcos e as formas circulares ainda tem muito a contribuir para nossa espécie, assim como o princípio do mínimo de mudança.

Na linguagem do design uma característica fundamental dos ecoossistemas é a minimização da entropia.

Em outras palavras: redução do desperdício de energia e materiais, ou organização da economia. É a auto-regulação do sistema. 

A natureza sempre escreve certo por linhas tortas.

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