11 passos para uma vizinhança melhor

Qual o resultado da Permacultura? O que ela traz de mudança nas pessoas e no mundo?

Este ano o Ecocentro Ipec completa 20 anos de existência no coração do Brasil. E todo este tempo nos leva inevitavelmente a muita reflexão. Resolvemos perguntar aos nossos melhores amigos, nossos alunos, que nestes 20 anos tem nos mostrado as soluções para todos os problemas. 

São vocês que tem validado aquilo que transmitimos. Tudo é oportunidade. E nâo vamos perder a oportunidade de revisar as centenas de designs produzidos por vocês nestes 20 anos de Permacultura aplicada. 

Os trabalhos de conclusão de cursos nos PDCs do Ipec são a culminância na jornada dos grupos de indivíduos criando coletivamente e resolvendo um desafio real e atual. Permacultura não é receita pronta. É estratégia natural em padrões complexos de ocupação planejada do território. Os TCCs são a prova e a essência na formação do designer. Depois vem a prática de campo que valida e consolida a experiência.

As referências são essenciais. Se não se pode ver o erro não se aprende a acertar. O design é expressado primeiro em um desenho que vai guiar os primeiros passos no caminho da visão. Cada PDC do Ipec produz uma dezena de diferentes designs como solução para um único desafio. Nestes 20 anos de Ipec temos coletado e catalogado centenas de designs. São TCCs que atestam, além da capacidade e a inventividade das pessoas, um potencial de transformação do futuro, com inovação e intuição coletiva.

Se nossos governantes ouvissem as pessoas, poderiam perceber que as soluções para todos os problemas que a sociedade enfrenta estão no poder criativo desta mesma sociedade.

Começamos aqui uma série de posts comentando e apresentando este trabalho conjunto, que foi, para muita gente, o primeiro projeto realista de vida sustentável, e que é hoje uma direção incontestável para viver melhor nesta terra rica e abundante.

Muitos destes trabalhos mostram uma tendência natural das pessoas a pensar no bem comum. Começamos esta série mostrando alguns dos grupos que colocaram ênfase nos espaços partilhados e na qualidade da vida coletiva dentro de um contexto residencial. Se associarmos os princípios de design com os princípios da ecologia veremos que o mapa está traçado para uma sociedade em harmonia com seu ambiente.

Resiliência Cooperativa

Um princípio que estabelece que, em um sistema vivo, a capacidade de recuperação a partir de impactos negativos cresce a medida em que a comunidade aprende coletivamente e se estabelece com interações cooperativas entre os organismos. Mas o que significa interações cooperativas dentro do contexto do design?

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O parquinho do Ecocentro tem dragão

Para seres humanos, significa considerar a qualidade de vida dos outros tanto quanto a sua. Em tempos de divisão social e isolamento vale a pena considerar o design da ocupação do território dentro de um contexto de núcleo habitacional, incluindo as aspirações daqueles que estarão partilhando diariamente o mesmo espaço com você: seus vizinhos.

As divisões políticas e partidárias podem causar muitos danos de difícil reversão no ambiente social. Vale sempre lembrar que vizinho é para longo prazo, e é melhor planejar para uma boa convivência, mesmo em extremos climáticos, econômicos ou políticos.

11 exemplos de como aplicar o Princípio da Resiliência no seu design?

1. Planeje uma área comum para compostagem e retorno dos resíduos orgânicos ao solo ou aos animais, de todas as residências da vizinhança. Admita o quanto antes que matéria orgânica não é lixo e não devia ser um problema da prefeitura lidar com suas cascas de cebola.

2. Organize programas para a redução, reparação, reuso e reciclagem de vidros, metais e plásticos com a coleta local para transporte a centros de reciclagem regionais. Isto pode vir a ser renda para sua comunidade.

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TCC mostrando uma visão para o centro educativo do Ecocentro, a Ecoversidade. Note vários elementos estão hoje construídos na posição que foram imaginados.

3. Ajude a promover campanhas e programas de educação para padrões de consumo mais sustentáveis e eliminar a poluição. Lixo é aquilo que foi trazido para dentro do sistema sem um plano de utilização. Elimine este conceito na sua vizinhança.

4. Organize um acordo para eliminar o uso de materiais de base metal pesada (cádmio, chumbo, mercúrio), agrotóxicos ou fertilizantes industriais priorizando o paisagismo produtivo e orgânico, florestas alimentares e sistemas produtivos integrados.

5. Inclua no estatuto do condomínio ou faça um acordo entre os vizinhos com a autoridade municipal para utilizar áreas disponíveis na construção de sistemas domésticos de biorremediação. Toda a água que deixa a sua propriedade deveria ser aproveitada muitas vezes em um ciclo biológico que inclui a depuração. Isto pode ser facilitado em grupos de residências que desviam o esgoto para uma estação coletiva de tratamento biológico. As águas cinzas são um recurso valioso para a produção de agroflorestas urbanas e parques verdes para a comunidade. Não deixe se transforme em poluição no rio ou no mar.

6. Planeje áreas para regeneração da vegetação nativa. A maioria das pessoas concorda com a necessidade de parques e florestas para refúgio da fauna e das pessoas. introduza a idéia de bem estar social com sombra e alimento em áreas públicas e privadas. Praças podem ser bem mais que gramados e bancos ao sol.

7. Ajude a sistematizar informações e políticas para máxima economia de energia elétrica, com incentivos para que os residentes gerem sua própria energia elétrica localmente, utilizando o potencial eólico e solar da localidade. Equipamentos de alto consumo energético, como lavanderias, cozinhas e oficinas podem ser coletivizados, produzindo integração social e recurso renovável.

8. Com um bom planejamento das residências e áreas comuns, o conforto térmico pode ser alcançado de forma natural. É importante considerar as projeções de sombra dos edifícios e da vegetação nas áreas comuns e privadas. O sol será sempre para todos e o conforto coletivo é mais atingível quando o design é feito em grupo.

9. Busque informação e compartilhe com seus vizinhos o que descobrir sobre redução de consumo energético em todas as fases dos projetos. A partilha de conhecimento, ferramentas e equipamentos pode trazer muitas economias e construir um espírito colaborativo desde o princípio da história de uma vizinhança.

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Uma visão de núcleo residencial para a ecovila Guabaré. Este grupo previu 80% da área ocupada por um projeto de agroflorestas cooperativas.

10. Procure realizar um acordo para estabelecer um sistema coletivo de iluminação fotovoltaica, com foto-sensores econômicos e atentando para a eliminação da poluição luminosa noturna. O bom design funciona 24 horas por dia e a visão das estrelas é importante para a saúde mental.

11. As áreas comuns devem ser planejadas para a captação de água da chuva para irrigação e uso em eventos comunitários. A formação de pequenos núcleos de residências também pode facilitar a captação de água de chuva dos telhados em uma cisterna comum para uso doméstico partilhado. Isto ajuda no desenvolvimento da confiança e da integridade coletiva.

São pequenos passos que levam na direção da resiliência coletiva, uma qualidade social que ficará mais evidente (ou não) quando alguma catástrofe atingir o território e as pessoas perceberam o quanto são inevitavelmente interdependentes.

Fique ligado para os próximos princípios e TCCs comentados.

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