Uma grande viagem, e a mochila de habilidades

Educação é para a vida toda, certo? Estamos sempre aprendendo alguma coisa. Aprendemos aquilo que nos serve e muito daquilo que nos dizem que servirá um dia. Quando o tema é o futuro podemos dividir o debate entre otimistas e pessimistas. Ambos com argumentos válidos, discutem destruição ou renascimento com o mesmo vigor. A pergunta que precisa ser respondida por todos os que refletem sobre educação, seja a própria ou a de outras gerações é uma só: O que é preciso aprender? Ou traduzindo para uma linguagem prática,  Quais as capacidades necessárias para que uma pessoa participe do futuro?

Acredito que a o maior poder da Permacultura é a sua ética. A expressão “nós somos um” não diz respeito a uma identidade coletiva que desconsidera o individuo. Também não se  refere a algum tipo de unificação mística resultando em uma identidade cósmica. Refere-se, antes de mais nada, a uma rede de relações entre as pessoas e todas as partes vivas e não vivas do planeta Terra. Tudo o que existe na Terra está em inter-relação, e cada coisa tem identidade, integridade própria e valor intrínseco.

O PDC (Curso de Habilitação em Design de Permacultura) foi meticulosamente desenvolvido para oferecer um novo olhar e um conjunto de habilidades que envolvam corpo e pensamento na criação de modos de vida que sejam confortáveis e seguros para todas as formas de vida, inclusive a vida humana. Já passa da hora de questionarmos os paradigmas vigentes, que colocam os seres humanos no centro do universo. Já estamos atrazados para alguma salvação divina que chegue sem esforço e, ainda pior, sem o compromisso com um comportamento apropriado ao privilégio de estar vivo deste mundo.

designs 1O tema “Mochila de Habilidades” se refere exatamente a desenvolver a capacidade de resolver problemas complexos causados pela insensatez geral, ou a incapacidade de satisfazer nossas necessidades mais básicas sem destruir o próprio ambiente do qual dependemos. A qualidade de vida começa com habitação, alimento e água de qualidade, e a existência comunal com um trabalho significativo e gratificante. Felicidade sempre esteve ao alcance dos seres humanos. O que nos faltava era um mapa que nos mostre o caminho mais rápido. Este mapa existe dentro de cada um.

Havia um tempo em que a ignorância servia para justificar a destruição da natureza, dos habitats e das espécies. Hoje isto já não é desculpa. Com o avanço da tecnologia, a informação está literalmente na ponta dos dedos. Mas obviamente informação não é suficiente para resultar em ação. O que é necessário para mexer com um ser humano ao ponto de, com base em informação, modificar seu modo de vida para integrar-se no ambiente que ocupa?

Popularmente falamos da Era da Informação. Talvez seria melhor descrita aquilo que Dom Gayton chama de Era da Indiferença? Que, apesar de sabermos, não queremos saber? Temos acesso ao conhecimento, mas não agimos de acordo com o que sabemos.

Ano após ano, participamos do desenrolar da história humana no planeta Terra.  A nossa viagem biológica como terráqueos é curta quando comparada aos 4,6 bilhões de anos da história da Terra. No entanto, o nosso curto percurso mostrou ser suficiente para relizar alterações irreversíveis na sua superfície. Um velho ditado diz que “os números não mentem”.

Viajamos de continente em continente alterando os cursos d´água, movendo montanhas e criando gigantescos buracos na superfície do planeta. O comportamento coletivo das pessoas levou o mundo a homogenização da cultura e a simplificação dos ecossistemas. Ao mesmo tempo, assistimos ao declínio da diversidade da vida. O potencial criativo da Terra está em risco por nossa causa. Enquanto terráqueos, devemos nos preocupar necessariamente com estas questões. Já é habitual que as mais surpreendentes descobertas e transformações sejam precedidas por tempos de extrema confusão.

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Uma nova Ética emerge. A ética Ecocêntrica. Proposta pela Permacultura, esta ética vem questionar o que é de importância fundamental. O que é que nós, enquanto espécie, realmente valorizamos e não queremos perder? Na opinião de Stan Rowe, a ética Ecocêntrica deixa de centralizar os valores de importância primordial nos seres humanos.

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Para respeitarmos o potencial criativo da terra, a nossa jornada deve começar agora mesmo. O processo de mudanças deve começar dentro de nós mesmos. Enquanto seres terrestres somos capazes de manifestar atitudes a ações coletivas que nutrem o potencial criativo da terra e que promovem a sustentabilidade dos seres terrestres que estão por vir.

Confira este site.  Enquanto escrevo esta nota a população do mundo está em 7.664.860.355 e crescendo a cada segundo. O número de pessoas mal nutridas no mundo é de 832.013.735 enquanto que o número de obesos é praticamente o dobro, de 1.668.007.549. O câncer já matou 7.277.530 pessoas e nós já despejamos 8.677.723 toneladas de produtos tóxicos no ambiente. Todos os ecossistemas terrestres mostram sinais de impacto humano.  É fácil ficar sobrecarregado e sentir-se pequeno. Será mesmo que estamos condenados? Estranhamente não me desespero. Depois de 20 anos desenvolvendo o Ecocentro IPEC podemos dizer que temos a capacidade de estabelecer um modo de vida sustentável, mesmo em ambientes degradados.

Habilite-se. Participe do PDC do Ecocentro. Faça seu caminho com o mapa da vida sustentável.

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  • Eduque-se. Encontre a alternativa para a vida que vives hoje.
  • Leia livros e leia mais. A informação está disponível
  • Alimente-se com orgânicos. Plante uma horta, mesmo que seja uma mini.
  • Faça conexões com sua comunidade, converse com os mais velhos e com os jovens.
  • Use o poder do seu dinheiro. Apoie as iniciativas locais. Troque trabalho e objetos por qualidade de vida.

Você é um. Nós somos centenas, e então, somos milhões.

Faça a sua parte.

Encontre paz nas suas ações.

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