O que é esta coisa chamada Cob?

 

Quando você visita o Ecocentro Ipec descobre que nós amamos o Cob. Nossas casas e nossa arte em bancos e esculturas que adornam nossos jardins.

Acredita-se que essa técnica tem origem na Inglaterra da idade media. Nessa época foi muito usada para fazer casas coletivas com edificações de até três pavimentos, intactas até hoje. Mas a técnica foi esquecida depois que a industrialização do setor acelerou o processo de construção com  materiais de produção em série, como os tijolos convencionais e o concreto.

Na decada de 70 o cob foi resgatado na Europa e nos Estados Unidos. As obras da idade média mostraram ser mais solidas e duráveis do que as casas mais modernas, como as construções vernaculares,  que necessitavam de muita manutenção.  Foi aí que construir com terra voltou a ser chique.

Não é à toa que cob é uma das técnicas favoritas dos construtores naturais. É fácil de ser usada, tem atributos esculturais e é muito resistente.  Além disso, o Cob permite a inclusão de outras técnicas na obra.

Para fazer a massa do cob é preciso solo arenoso – até 85% de areia e 15% de argila. Por isso, se o seu solo for argiloso misture mais areia para chegar à proporção desejada.

Como em qualquer construção com terra é importante que não haja matéria orgânica na mistura,  por isso use o subsolo. Peneirar a terra para retirar as pedras não é obrigatórtio, mas lembre-se que elas machucam os pés durante a mistura.

Para ficar no ponto, a mistura precisa de 1.5 partes de água para cada 8 partes de terra. A meta é uma massa homogênea, similar a uma massa de pão. Depois de misturar a terra é preciso agregar palha de arroz picada, ou outra fibra que seja rica em sílica. Ela fará o papel dos vergalhões num bloco de alvenaria estrutural e terá a função de tensão na parede ligando uma massa à outra.

cobPara fazer cob as ferramentas necessárias são:

  •  Lona (2m x 2m
  •  Terra arenosa
  •  Água
  •  Palha picada
  •  Alguns pauzinhos para empurrar o cob dentro de buracos
  •  No mínimo duas pessoas

O processo de confecção do cob é simples. Primeiro coloca-se a lona no chão, depois oito baldes de terra arenosa (na proporção de terra com areia apropriada).

O próximo passo é misturar a terra. Caso necessário carregue a lona pelos cantos (cada pessoa de um lado) e enquanto um levanta, o outro abaixa, como uma dança. Use o peso do corpo para ajudar e não cansar muito!
Quando a terra estiver bem misturada acrescente um balde e meio de água e misture novamente.  No momento em que a massa ficar homogênea estique a lona no chão e comece a misturar a massa com os pés. Depois coloque a palha picada (não há quantidade exata necessária) e mais uma vez misture com os pés

Quando a massa estiver bem grudenta e esticada arraste as pontas da lona em direção do centro para juntar a terra  e comece tudo de novo: pisar, pisar, pisar!

dsc5100Para testar a massa puxe as pontas da lona para um lado, enrolando-a. Ela deve ficar como um rocambole, sem rachar. É hora de separá-la em vários filãozinhos, como pães.  Seu cob está pronto!

Dicas da tecnologia

O cob é fácil de fazer, mas requer tempo. Pisoteá-lo exige paciência.
É interessante que durante a construção ele permite que encaixemos qualquer objeto na parede, de garrafas e vidros de carro à janelas convencionais e até mesmo móveis. Depende somente da sua imaginação. Lembre apenas de acrescentar massa ao redor do objeto para fixá-lo.

As paredes de cob podem ser autoportantes. Para tanto precisam que a base seja mais larga que o convencional (mínimo 40cm). É comum uma parede em forma de plinto, ou seja, uma base larga com a parte superior mais estreita. Para cada metro de altura, podemos reduzir cerca de 5cm de largura. Isso significa que se você quer uma parede de 25cm de largura no topo, para suportar a estrutura do telhado, e esta terá 2,5m de altura, a base deve ter, no mínimo, 40cm.

DSCN2445
Escultura em Cob

Quando o dia de trabalho termina é preciso fazer alguns buracos na massa, isto ajudará o novo cob, do dia seguinte, a grudar na camada do dia anterior.

Fonte: Andre Soares (2007) – Soluções Sustentáveis, Construção Natural

 

 

 

 

 

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