E a Permacultura Amigo?

Está pensando em fazer um curso com o Ecocentro IPEC? Veja o que o  Gustavo Martins Machado tem para dizer…

Fui eu lá eu fazer um tal curso de permacultura pra ter um certificado, sendo que já trabalho com isso há quase dois anos. Na bagagem pessoal acompanhado da minha equipe de trabalho e muitos preconceitos que eu nem imaginava…

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foto – Gabriel Mestro

Quando chegamos em um território novo convém andar mansinho. Pegadas pequenas no caminho, eu e Ticote chegamos à noite em uma ponte Pênsil e muito verde no IPEC. Ao chegar já me maravilhei, praticamente todas as edificações de bioconstrução, no meio de uma floresta regenerada em pleno cerrado. Coisa pra deixar pessoal de boca aberta. Comida boa, papo leve e as aulas começaram. Novo susto, uma turma de 60 pessoas num espaço circular com vista aberta pro céu. Uma roda de apresentação em que eu podia me reconhecer em cada rosto, dos mais maluquinhos aos mais conservadores, afinal Todos fazem parte de mim. A partir daí seria até complicado colocar em palavras o que foi vivido, mas vamos lá.

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foto – Gabriel Mestro

Na própria estrutura de aula, quando chovia, íamos para as bordas para permanecer secos por causa do teto aberto. Quando fazia sol, nos movimentávamos com o fluxo solar para não tomar tanto sol na caixola. Não seria realmente interessante ao invés de tentar controlar, respeitar esses fluxos celestiais?

Nesse sentido vem os fluxos. Entropia, entalpia, essa tal percepção da permacultura de que precisamos de uma cultura de permanência, de cuidado com a terra e com as pessoas. Pensar em fluxos fechados, onde devolvemos para a natureza nossos resíduos como insumos, sejam eles orgânicos e inorgânicos!

Aí você se pergunta: mas os inorgânicos não dá pra devolver pra natureza? Então vamos usá-los para nós mesmos na construção e fazer tijolos de PET dentre tantas outras possibilidades.

É hora de fecharmos nossos ciclos e mudarmos essa cultura linear de consumo e descarte, sem considerar para onde vão esses produtos. Sim, produtos.

13001222_10209255332197851_8326563708420748294_n.jpgComo um dos meus grandes professores Ticote falou ao ser indagado sobre jogar o lixo fora: “onde fora? Não tem lá fora, tudo que nós jogamos está aqui com a gente e um dia vai voltar pra cair na nossa cabeça.”

Não tem lá fora, só tem aqui dentro! Todos partilhamos da mesma casa Gaia como fala um tal de Loveloft aí.

Procurei um curso e passei por uma experiência transformadora de vida. Definitivamente faz a diferença receber informações de pessoas que transbordam energeticamente o cuidado com a Natureza há mais de 20 anos em um habitat desenhado para isso.

Enquanto André Soares, Lucy Legan e todos os demais professores falavam do que lhes era caro, tudo isso ficava ainda mais valioso dentro de mim.

Colocar a mão na MERDA e saber o quanto isso é VALIOSO. Escrevo merda, porque lá entendi com o coração que a merda é boa pra caramba. Eu já falava sobre isso, mas colocar a mão mesmo e perceber o quanto ela é nutritiva para nosso solo, para nosso território, faz TODA a diferença.

Beber água pluvial filtrada e não se sentir mal em nenhum dia, me mostra com o corpo que existem soluções realmente diferenciadas e que estamos apenas nos abrindo pra isso.

lawn to lunch.jpgAí surgem várias ideias e correlações. Permacultura traz A percepção dos padrões da natureza e mostra uma forma natural de todos os sistemas, o que deixa claro essa relação com o taurus tão discutido também na forma da maçã e dos fluxos energéticos da terra.

Permacultura vem da Austrália, trazendo um design para cuidar profundamente da natureza com um imenso respeito pelos animais e pelos vegetais, nos vendo como seres integrados e horizontais. O sistema é apresentado em 4 passos.

Dragon Dreaming também vem da Austrália, trazendo um design para cuidar das pessoas envolvidas no processo, com um extremo cuidado inclusivo por cada indivíduo e também trazendo 4 passos.

Perceber os fluxos da natureza e imitá-los ao invés de desejar controlar. Otimizar fluxos. Cuidar dos nutrientes em nosso solo, da permanência da água no território e da energia. Seja ela nossa energia de trabalho humano ou aquela elétrica mesmo.

Trabalhar com os animais em cooperação, permitindo que eles tenham qualidade de vida e possam exercer suas funções vitais de forma a cuidar de nossas hortas e fertilizar nosso solo. Ver pessoas que comem carne de uma forma completamente respeitosa e integrada com os ciclos sistêmicos da natureza, honrando os animais em suas potências.

1918243_10155216660018084_5084454717580838997_nTrocar com os amiguinhos de turma e fazer irmãos de caminhada. Perceber que cada um tem tantos dons dentro de si quanto você, afinal somos todos comuns.

Dar uma escapadinha para Pirinopolis e dançar Forró, ver pedras e pessoas. Dar outra fugidinha porque é tanta energia junta nas 60 pessoas vivendo em comunidade que eu precisava até compreender o que estava acontecendo dentro de mim e no mundo lá fora.

Enquanto isso, percebi que o mundo passava por extremas contradições, discussões políticas e colocações.

A gente ali num ambiente sem internet, fazendo detox virtual e podendo conectar com a natureza, com cada um e com nosso essência de cuidadores.

Cada um pensando no cuidado da sua maneira, aplicado a sua vida, ao seu momento presente. Sonhos brotando no coração, sonhos compartilhados, ações integradas.

No meio do curso ter a apresentacao de nosso projeto de saneamento ecológico por um amigo professor que trabalha comigo @ tiago rup , completamente integrado em sua casa, da qual ele fez parte 10 anos atrás. Bonito de ver e de partilhar tantas emoções vividas.

E lá, bem do ladinho ainda na eco-vila tem uma fábrica de deliciosas frutas desidratadas. Junto a isso descubro que tem uma produção de adubo através de minhocário de um grande casal de amigos de 5 anos atrás: Vinicius e Fernanda. Botar o papo em dia com pessoas do bem

Definitivamente faz BEM!

Chakra cardíaco bombando, trocas acontecendo, pé no mato, mão no adubo, compostagem e cabeça lá em Paraty, já arquitetando tudo que podemos fazer em nosso território.

Ter um grupo de Paraty junto discutindo o que podemos construir a cada café. Olhos BRILHANDO. Dois caiçaras na aula discutindo a permacultura e compartilhando suas sabedorias que nós acadêmicos precisamos estudar tanto pra aprender. Uma caipira Taina, lutadora que até hoje eu não consigo entender se é caipira, caiçara, quilombola ou indígena. Acho que ela tá mais próxima de ser uma profunda brasileira defensora da nossa história e cultura interna. Com suas histórias tocantes e tom de voz animado, essa amiga vai cativando as pessoas, falando de seus projetos, shampoos e de Aldeia Velha. Quanta coisa boa sendo partilhada.

São tantos projetos bons sendo discutidos que a gente nem sabe com quem conversar.

12932613_10209108477646579_9109292023865385354_n.jpgPra você que acha que a gente fica só no bem bom, no meio da natureza, além de uma excelente comida quase vegetariana mas com Pouca carne para os que gostam: não é bem assim. Risos. Aulas de 8 as 22. Muito conhecimento na caixola, parece até que a cabeça pode fritar uns ovos, tipo frigideira do menino maluquinho.

E quando você tá lá achando que tá tudo certo: tá tranquilo, tá favorável, vem o projeto de TCC. Criar junto um projeto para uma região do IPEC.

Aí mais e mais fichas caem, temos uma aula de observação ativa da natureza e eu percebo como essa forma de visão se conecta com a observação participante da psico-sociologia. Bingo, vamos olhar a natureza dessa forma. E no meio desses insights vem a professora falando de jardim vibracional e utilização do pêndulo para saber o que fazer no local. RÁ!

Aí eu me derreto. Como se não bastasse poder canalizar o local com o corpo e saber o que aquele terreno quer. SENSACIONAL!

aulas.jpgNo meio de tudo isso, formam-se os grupos e a gente começa a brincar. No início angústia porque não sabemos se vai ficar realmente bom. Cada um traz suas expertises para o projeto. Eu pra variar trouxe mesa radiônica, pêndulo, e check-in. Afinal

Antes de ouvir um território, temos que nos ouvir como indivíduos para ter o espaço interno de escuta.

Discussão de lá, emoções daqui, e não é que quando eu vi todos do meu grupo confiavam no uso do pêndulo e o fluxo nos processos acontecia incrivelmente.

No meio de tudo isso, uma engenheira jiu-jiteira querida pergunta se ela é louca o bastante para aprender a usar o pêndulo e eu digo: CLARO QUE SIM.

No meio do processo, já não era eu que manejava o pêndulo, mas o agroecologista Daniel. Em 30 minutos o cara já sabia manejar a parada com destreza total. Além disso o rapaz trabalha com produção de insetos para diversas funcionalidades: quanta criatividade é novidade.

No meio de pêndulo, banho de chuva junto para ver as condições de escoamento de água do terreno, chocolate contrabandeado da cidade, contribuições de cada um e com valorização da inteligência coletiva, brota nosso projeto: Recanto do Céu!

Como um filho damos voz, palavras, imagem e cor ao que partilhávamos com o coração.

No último dia rola a apresentação de todos os grupos e o mais bacana é ver que eram inúmeros os pontos de convergência dos projetos, com instalações iguais plotadas no mesmo lugar, isso sem compartilhar ideias.

O que deixa claro que os projetos não são nossos: São da terra. É aquele território que estava conversando com a gente e mostrando o que ele gostaria de vir a ser. Um viva a inteligência coletiva.

No meio de tudo isso uma montanha-russa dentro de mim, pois praticamente nos sentimos em um

Big brother Nature. Como explicar a profundidade de relações com pessoas que você conhece a dois dias como os queridos Nathalia, Samuel, Felipe, Guilherme, Júlia e todos os outros.

Encontros de alma, de reconhecimento. Aí seu coração tá feliz, a cabeça explodindo de conhecimento e o corpo morto. Você acha que vai embora e já tá contente pra carambola.

No meio do caminho, Ludmila uma das moradoras da eco-vila apresenta pra mim e Ticote sua escola em Piri: Escola Pireneus!

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Escola Pireneus

À escola tem 70% de suas instalações de bioconstrução. Uma delas construída e pintada pelas próprias crianças. Sistema de saneamento ecológico, cirandas, valorização da cultura tradicional, crianças especiais integradas, uma pedagogia por projetos que empodera e responsabiliza os alunos para cuidarem uns dos outros.

Sorriso largo, choro contido e a sensação clara: queria ter estudado numa escola assim. Percebo Ticote e seus olhos mareados, assim como os meus. Bonito de ver e de partilhar.

Bom ver na matéria o que já sonhamos, uma escola que valoriza a natureza, a solidariedade, a cultura tradicional e também traz toda a formação necessária que já temos em nosso escopo curricular de uma forma diferenciada.

Volto pra minha casa Paraty com o coração repleto de abundância e as mãos ávidas pra construir, assim como estão fazendo aqui. São pontes que ficam e integram tantas ações boas acontecendo por aí.

Sei que a situação política não parece boa mas na minha visão estamos colocando luz em muitas partes que antes desconsiderávamos, para além de uma discussão partidária. E se estamos com tantos desafios é bom olhar quem está realizando Tanta coisa legal pelo Brasil afora.

Uma coisa é certa, tem muita coisa boa brotando de pessoas determinadas a fazer mudanças por aqui. É por aqui no Brasil mesmo. Basta abrir os olhos e colocar a lente certa que você vai encontrar um universo de iniciativas muito bacanas!

Vamos nessa por um mundo melhor!

Cada um encaixado no seu propósito!

Veja: PDC 2016 no Ecocentro IPEC pelo aluno Moises Prestes 🙂

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Gabriel Mestro

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