Captação de água da chuva

A água da chuva é um recurso natural de valor muito subestimado. Ela pode ser facilmente coletada para uso caseiro, reduzindo o valor da conta mensal enquanto reduz também o impacto negativo nos drenos e nas ruas da cidade. A água da chuva é não tem cloro nem outros venenos utilizados para “tratamento”. Se for coletada de forma correta, em locais livres de poluição atmosférica, é ótima para o consumo humano.  E se você investe em uma estrutura doméstica para a captação vai reduzir os custos de infraestrutura para a comunidade. Aos poucos nossos órgãos públicos estão se dando conta do que é bom para o público e estão criando incentivos para que as coisas certas aconteçam.

Cerca de 11 milhões de brasileiros não tem acesso à água da rede pública. Em áreas rurais, apenas 9% das pessoas têm água potável das redes de tratamento, ou seja, 91% da  população rural se vira sem assistência pública. Portanto, é a partir da iniciativa privada que as coisas podem acontecer.

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A captação da água dos telhados é uma solução prática e confiável para o abastecimento de água potável na maioria do território brasileiro. A água da chuva na zona rural é normalmente limpa. A poluição industrial e urbana intensa impossibilita o consumo humano da água, mas mesmo ali esta água pode ser usada para muitos outros fins, como reserva para o jardim, lavagens, etc. Por isso, avaliar a geografia da região em relação a origem das chuvas é uma tarefa importante antes de instalar um sistema de captação e re-uso da água da chuva. Lembre-se que captar e armazenar esta água é essencial, mas o uso que será feito dela depende da qualidade em que for armazenada.

Ferrocimento

Existem muitas alternativas de produtos para armazenar pequenas quantidades de água (até 5 mil litros). A solução mais econômica para armazenamento de grandes volumes de água são as cisternas de Ferrocimento autoconstruídas.

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Artista: Efe Godoy 🙂

A técnica de ferrocimento existe desde 1930, e é uma forma muito econômica de utilizar um material que existe em todas as localidades (cimento e areia) O ferrocimento permite a construção rápida de reservatórios grandes. No Ecocentro temos experiência com cisternas de até 500 mil litros. Em Portugal, no Boom Festival, construímos uma estação de tratamento biológico de esgotos de um milhão de litros.

Mas atenção: se a coleta da água para beber for feita em telhados de fibrocimento, asfalto ou amianto, é recomendado que se espere um ano após a instalação do telhado antes de começar a coleta. Estes telhados, bem como os de palha, podem coletar água da chuva, mas adicionam um odor orgânico e um sabor desagradável à água, e com o tempo inviabilizam-na para o consumo humano

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O tamanho do reservatório deve ser determinado pela necessidade de consumo e a duração máxima do período de estiagem. Calcula-se que pelo menos seis litros por pessoa por dia sejam necessários apenas para cozinhar e beber, mas a maioria das pessoas utiliza muito mais. Principalmente quando os hábitos de consumo são de desperdício.

A melhor relação de custo benefício e facilidade de construção está em uma cisterna de doze mil litros para cada residência, em todo o território nacional. Nas regiões mais áridas o ideal seriam cisternas de vinte mil litros. O programa de cisternas do semi-árido constrói cisternas de 15 mil litros para as famílias.

Se você tem curiosidade em saber quanta água cai sobre o seu telhado multiplique a área da sua casa pelo volume de chuva (pluviosidade) anual (em metros cúbicos). O resultado é o volume em m3. Multiplique este número por 1000 litros, que é a quantidade em litros, e verá que muita água está saindo do seu controle.

Exemplo/problema: Uma casa de 100 metros quadrados em São Paulo (Pluviosidade 1,4m3/ano) está recebendo aproximadamente 140 mil litros de água no telhado. Uma chuva de verão de 50 milímetros produz 5 mil litros neste mesmo telhado. E se esta chuva cai no dia em que a água da rede é cortada para racionamento? Quanto fica para você?

por André Soares

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http://www.ecocentro.org/cursos/bioconstruindo

 

 

Dica: Veja video: De Olho na Água – Parte 1

 

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